terça-feira, 19 de agosto de 2014

Lili Marley e Jarbas Alonso

Meu nome não é Alonso nem o dela Marley. Mas fomos. E deste fomos sucede o que somos.

Ela me ensinou a borboletear e eu a ela acrescentar pimentão à sopa. Foi tenso, faltou bom-senso, mas rolou intenso.

Poderia contar detalhes, mas pra quê? Pra vocês morrerem de inveja e botarem um olho com peso de boi de abate? Ah, vão comer um pastel de abacate! Ou seria de alface?

Foi assim, numa marrecada, casa de dignos amigos caçadores, com marrecos capturados no mercado público. Eu chambão, ela voando as tranças. Aliás, a trança, arrebatadora trança.

Pirei. Pirei na batatinha. Viajei no purê. Ela dura na queda, caidaço eu. Jogado aos seus pezinhos 36.

Não houve beijo. Espera, deixa eu contar! Se é que existe palavra neste mundo pra dizer. Porque não foi deste mundo. Não, não foi mesmo. Uma conexão metafísica, talvez. Almas se beijam? Tá, vou deixar a frescura de lado. Abandonamos o medo, a incerteza, a expectativa e nos completamos. Fluidamente ionizados. Eletrostaticamente inversos. Agora piorou. Foi péssimo, isso. Sucumbe quem o inefável tenta decifrar.

Sei que ela está me lendo. Lendo e rindo. Até se mijar. Não há pudores na liberdade de amar.

Mas o que se pode esperar de duas cabeças-de-vento? A geminiana e o aquariano... Apetites satisfeitos na incensurável gula e um vendaval.

As pessoas adoram causar. Causávamos para nós mesmos. Exceto aquela vez que a tua minissaia calou quatrocentos talheres masculinos na churrascaria. A perplexidade dos comuns esbarra nas coxas, mas desconhece a sutileza da sapatilha.

Estrambótico tenha sido namorar às sete da manhã, ouvindo o pagode daquele bitata à beira do rio. Louco, sim, por querer assim. E por assim querer, guardo, inolvidável, a leveza encantadora dos teus fios de seda cintilados à luz de quem te dá nome.


Um comentário:

Larissa Marques - LM@rq disse...

o que há de amor no amor? sim, falar de amor parece suave e ridículo, mas quem nunca? lendo você percebo o quanto pode ser descomplicado escrever, ou não, não sei se é um parto para você essa descontração... não sei se consigo. gosto.