sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Meu Nome É Lindsei

Meu nome é Lindsei e sou hetero – só não sei dizer de qual sexo. Aos três anos troquei de casa. Antes, era uma casa grande com um quartão cheinho de beliches e eu tinha muitas tias. Cresci num apartment, em meio a dengos e dengues e outros bichos e bichas. Era uma criança normal – ao menos pensava que sim.

Estudei numa escola particular com todos os requififes e luxinhos da classe média alta. A cada três meses, durante as aulas específicas de origami, chamavam alguns para uma entrevista com a psicóloga do colégio. Não sei o porquê, mas sempre fora chamado. Pelo tamanho do pé, eu imaginava que o pinto dela fosse bem menor do que o meu.

Os meus dramas começaram quando eu quis aprofundar os meus conhecimentos acerca de um objeto de consumo, cujas embalagens multicoloridas infestavam meia gôndola da seção de higiene pessoal do hipermercado. Havia abas e geis demais para o meu hipossaber. Foi assim que conheci o meu primeiro amor, o Doutor Silverberg. Meus relatos foram se tornando propositalmente truncados, pois além dos "boa-tarde" e "até a próxima", era a única forma de me deliciar com aquela voz máscula repetindo "continue".

Hoje estou me formando em Direito e namoro uma colega. A Gilmar é muito sensual e compreensiva. Adora a minha sensibilidade poética e a cama é altar do mais suntuoso culto ao prazer. Ela faz uma cara engraçada quando, no instante mais crítico, satisfaz um capricho e sussurra guturalmente um "continue!" em vez do "não para!". Não sei bem como nos apaixonamos, mas a coisa rolou depois que ela me pedira sugestões para dois presentes que brindariam o segundo domingo de um mês de maio qualquer.

Temos planos para o futuro. Montaremos banca especializada em Família e acionaremos o Estado.

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