domingo, 19 de setembro de 2010

Barraca Armado

Nasci no Abará dos Xaxado, onde o diabo perdeu as bota, as pimenta e o camarão, e o ar se faz muntu oxidrânio. Sô membro dos Armado, familha que nunega fuego. Me batizaro Georje. Inté gosto. Me sinto meio aparentado c'o Jorge, o Amado, e aquele lá das gravata – cumé mêismo? – ah!, o Armânio.

Mãinha me explicou os porquê do Gê: ela tinha mais amores pelo Jota, mas vai que na hora da chamada pra merenda, o antepasto só vaya inté antes de? Adespois, o gringo que me fez pagou com nota falsa. Nem posso me dizê filho duma égua, se a burra é que foi barranqueada.

...

– Nhô Ar, por que tu não escreve livro?

– Screvo não, nem leio. Mas teve aí uma chusma de estudante quereno gravá meus contado, dizeno que era bom pras literatura. Preceio não, pois tirante Nossa Senhora Soninha Toda Pura, tutto que rima com 'ura' num presta. Vê aí, ó: usura, ditadura, capitura, rapadura...

– Rapadura?

– Cundunum quebra, num careia?

– E a Epifânia?

– Morreu, queném erva rastera que fica por debaixo das charqueada. É a vida, sô. O que num acrescenta, desalenta. Um pitéu dos mais grã-fino. Só de renda o abadá da prenda tinha ano e meio de salário do Serra.

– Isso é crítica política?

– É e nué. Agora sô barraquêro e só posso metê a pexêra é pra abrí os coco verde.

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