terça-feira, 2 de março de 2010

Vancouveria

                 Acabou-se a olimpíada dos ricos e esnobes. O demagógico discurso final por muito pouco não me contempla, já que executei um quadruple toe nas antenas da tevê, até discernir flocos de chuvisco.

                 Vão e vêm jogos, e, nesses comitês, é sempre a mesma velharia com seus sorrisinhos sonolentos em semblantes pedófilos. Um zunido neurônico me faz supor fila sucessória maior e bem mais persistente do que a do SUS. Tal muxibento festival não dispensaria holofotes a Neil 'Forever' Young, ao que a performance de Morissette delatou compreensível desconforto.

                 Sobre patins, a coreografia sacia olhares. Vigorosos e gráceis movimentos, em que até escorregões e tombos acontecem com sutil diferencial. Fico prostituto-aglutinado quando a estupefaciente japinha-cleópatra queda, preterida, no encômio à 'mamãezinha que morreu, tadinha...'.

                 Ora, quão irrisórias e risíveis são essas putícies-da-cara ante a hegemonia consolidada em decisões do G-8. Não é à toa que o colorido dos aros se faz restrito à credulidade atlética, desde que, no altar, os círculos se ostentem platinados. Se Canadá ou se Canadeu, sei lá. Sei que lá, beber na quadra, não dá cana — ouro cala.

                 Enquanto isso, na Cachassambalândia, o presidente-rezador envia tropas ao Haideti, esbravejando direitos à comissão de segurança.

                 Tens neve?

                 No?

                 No snow, then never.

                 Que vá rogar a São Joaquim...

                 That's all, folks!

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