sexta-feira, 21 de maio de 2010

1971 (ou Lira dos Quinze)

                 Quase me fodi, ano passado. Precisava de três e meio em Matemática. Tangenciei. Literal e geometricamente, dois décimos acima. Depois, fevereiro, praia e paixão. A praia, uma dessas sem status, água salgada, areia molhada, areia salgada, água molhada.

                 Mas aquela franja ressaltaria uma sedutora linha adunca. Nenhuma psicanálise conseguirá deslindar. Seguir-se-ia malícia feminina no convencimento de que Ópera se escreveu com H. Ao menos no letreiro do cinema, lá da sua terra. Fazer o quê, Veríssimo, se foi Ana?

                 O jogo das letras eram as tardes. Ou manhãs que não davam praia, ao salão do hotelzinho da rua do mar. Eu esnobava uma Cross, escrita fina, dourada. Levava, junto, o caderno e uma PaperMate rosa-choque. Mulheres são almas que se conquistam — ou adestráveis — pela curiosidade. O signo continha.

                 Vai semana. De siri em casquinha. De paquera, sem ficar. Tabus...

                 Tragédia. Quando, ao jantar, ela veio. À mesa, e foi assim. Um "só vim me..." e tchau. Engoli sem mastigar. Precisava sair dali e ninguém saía sem terminar — era lei.

                 Tarde.

                 Só rastro. Na areia, o relevo das estrias. Dos pneus de um quatro-portas. Quatro sinaleiras, recentíssimo verde-musgo.

                 ...

                 O ano correu quieto.

                 Passou.

                 Passei.

                 Por média.

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