sábado, 16 de abril de 2011

Ouço-te


Ouço-te,
lágrima plúvia
haurida pela terra
ardente

Tênue lamento
que me vaza em vento
o acorde outonal

Não mais me aprumo
nas liras
de antigamente

[o resumo daquilo
que foi e será
só da gente]

Hora imprecisa
tangida
minuto a minuto

Silencia
o murmúrio
das tautologias

2 comentários:

Celso Mendes disse...

Do que se precipita neste lamento, o silêncio é por vezes desejável ao burburinho recorrente do passado.

Beleza de poema, meu caro.

Abraço!

Tais Luso disse...

Lindo!
O poema tem uma característica própria, se ficarmos relendo, relendo para comentarmos, perde-se o que tem de melhor: o mistério e a beleza.
Ele bate em cada um de nós com nuances diferentes.

Abraços
Tais Luso