terça-feira, 15 de junho de 2010

O Infinito é o Fim

                 Resolver a si mesmo sempre foi a questão. A ausência da espiritualidade esvazia a existência. O somatório das parcelas de todo o conhecimento alcançado durante uma vida, por mais elevado que constitua esse numerador, terá, infinitamente, por denominador o zero.

                 Temo insultar os antepassados, que levaram cinco milhões de anos para evoluir, vindo propor tão ignóbil equação. Temo, também, ser objeto de extraterrestre escárnio, enquanto observa convicções anímicas ainda tão tribais, se é que seja possível estabelecer uma taxionomia universal.

                 Quem me garante que Moisés, desconhecendo a psicogênese, não tenha idolatrado o próprio ego? Ou que o paranormal Jesus extraísse dessa excepcionalidade poderes para reanimar um corpo?

                 É tão risível a contradição eclesiástica que nega o mediunato e se funda naquilo que já foi testemunho apostólico. Não se excluam os demais credos, por equânime trato, dos seus outros sofismas.

                 Que se admita caberem aos dogmas a capacidade de guardar a excelência do caráter, na conduta mais abstrata que pretenda dar ao bem comum. Mas que seus propaladores não queiram jungir a razão a um inconcusso dogmatismo.

                 Cada vez que constatamos que nada acontece por acaso, que há mais um elo, que os meios justificariam os fins, somos instados a nos perguntar sobre o propósito existencial.

                 Uma vez um judeu me ensinou que o Antigo Testamento conteria preceitos sanitaristas, proibindo o consumo de carnes de animais de patas fendidas e determinando que o homem que copulasse com mulher menstruada devesse ficar afastado da tribo por alguns dias. Ora, naqueles tempos em que a higiene não habitava, e tampouco a assepsia, não é de se louvar tal inspiração? Não é o porco hospedeiro de um verme e não há presença da menotoxina no fluxo?

                 Quereria Platão me fazer acreditar que, simplesmente, redescobrimos o que já sabemos. Mas, então, sabemos de onde?

                 Mistificar e mitificar são dois verbos que bem servem à letargia. Dissociar a alma do intelecto não me parece o melhor estratagema para vencermos ignorância. Então, meus caros, espero reencontrá-los daqui a algum tempo. Uns quinze milhões de anos, talvez. E que Deus me perdoe por ser blasfemo, presunçoso e prolixo. Quase um ateu.

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