quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A Máquina de Fazer Gelo



O pescador tirou o barco. E a rede. E o peixe.

O peixe vendeu. O peixe sobrou. O peixe perdeu.

O governo interveio. E veio. A máquina – fabulosa máquina de fazer gelo.

O pescador sorriu. Era imensa a máquina. Parecia-se com a caixa-forte do Tio Patinhas.

O pescador, maravilhado, viu a máquina despejar montanhas de lascas de gelo.

O pescador se conteve. Quereria mergulhar naquelas lascas, uma fortuna em moedas de gelo.

Mas o gelo era frio. Era molhado e escorregadio. Era mais duro que moedas, e afiado de cortar a alma.

O pescador partiu. Tirou o peixe, a rede, o barco.

As moedas derreteram. Sumiram pela fresta das areias.

O pescador vendeu.

Sobrou.

Perdeu.


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